Defesa de tese de doutorado de Roney Marcos Pavani
Título: J. R. R. Tolkien e os paradoxos da modernidade.
Data: 07 de julho de 2026.
Horário: 14h.
Link de acesso à sala de reunião virtual: Solicitar link de acesso via email do PPGHis (ppghis.ufes [at] hotmail.com) até às 12h do dia 07 de julho de 2026.
Banca examinadora:
Prof. Dr. Julio Cesar Bentivoglio (Presidente/Orientador – UFES)
Prof. Dr. Valdei Lopes de Araújo (Examinador Externo – UFOP)
Prof. Dr. João Carlos Furlani (Examinador Externo – Emescam)
Prof. Dr. Josemar Machado de Oliveira (Examinador Interno – UFES)
Prof. Dr. Nelson Pôrto Ribeiro (Examinador Interno – UFES)
Resumo: Este trabalho investiga a obra ficcional do escritor inglês J. R. R. Tolkien (1892-1973), com especial atenção a O Hobbit (1937) e O Senhor dos Anéis (1954-55), como fonte para a compreensão histórica e crítica da modernidade europeia do século XX. Parte-se do pressuposto de que o texto literário não constitui um mero reflexo da realidade social, mas uma prática cultural dotada de eficácia própria; por conseguinte, a pesquisa insere-se no diálogo entre a teoria da história, a história cultural e a teoria da literatura. A investigação centra-se no papel da fantasia moderna como forma narrativa capaz de condensar experiências históricas traumáticas, particularmente aquelas relacionadas à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), à crise do progresso e à racionalização técnica. A partir do referencial teórico utilizado – que articula o materialismo cultural a debates sobre hegemonia, memória e modernidade –, procura-se demonstrar que Tolkien promove uma crítica contundente aos paradoxos do mundo moderno, sobretudo no que diz respeito à instrumentalização da razão, à obsessão pelo poder, à devastação da natureza e à desumanização dos sujeitos. Entretanto, sustenta-se a hipótese central de que essa crítica é, ela mesma, ambígua e paradoxal: ao mesmo tempo em que denuncia os efeitos destrutivos da modernidade, a obra articula matrizes simbólicas, mitológicas e filológicas gravemente enraizadas em tradições eurocêntricas e em convenções literárias hegemônicas. A análise das narrativas, personagens e recursos ficcionais revela que a fantasia funciona tanto como espaço de resistência simbólica quanto como mecanismo de reprodução de valores dominantes, o que explica a pluralidade de apropriações políticas da obra e sua eficácia cultural duradoura. Por fim, demonstra-se que Tolkien, um autor marcado por tensões e ambivalências, não apenas se opõe à modernidade, mas exemplifica seus dilemas fundamentais.
