Defesa de dissertação de Mestrado de Júlia Ribeiro Pereira

Título: A alimentação como fator identitário: as culinárias síria e libanesa em terras capixabas (1900-1950).
Data: 09 de setembro de 2026.
Horário: 10h.
Sala de reunião virtual: Solicitar link de acesso via email do PPGHis (ppghis.ufes [at] hotmail.com) até as 09h do dia 09 de setembro de 2026.

Banca examinadora:

Profa. Dra. Patrícia Maria da Silva Merlo (Presidente/Orientadora – UFES)
Profa. Dra. Maria Cecília Barreto Amorim Pilla (Examinadora Externa – PUCPR)
Prof. Dr. Sebastião Pimentel Franco (Examinador Interno – UFES)

Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo analisar o papel da alimentação na preservação da identidade cultural no estado do Espírito Santo, no contexto das comunidades migrantes árabes, com ênfase nos grupos sírio e libanês. Os movimentos migratórios desempenham papel central na formação das identidades regionais, uma vez que a interação entre culturas distintas resulta na construção de características próprias. Buscou-se compreender de que maneira os hábitos alimentares, transmitidos e transformados ao longo das gerações, atuaram como mecanismos de preservação identitária, adaptação cultural e reconstrução de pertencimentos entre descendentes de sírios e libaneses no Espírito Santo. O trabalho adotou uma abordagem qualitativa, baseada em levantamento bibliográfico, análise de periódicos disponibilizados na Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional e, por fim, em entrevistas semiestruturadas realizadas com descendentes de sírios e libaneses residentes no Espírito Santo. A partir da análise das fontes, foi possível identificar aspectos referentes à inserção desses grupos nas esferas econômica e social, bem como compreender a atuação da alimentação na manutenção dos vínculos familiares e culturais. A fundamentação teórica apoiou-se nas contribuições de Stuart Hall (2006), no que se refere à construção da identidade, e de autores como Michel de Certeau (1994), Massimo Montanari (2008), Kapil Raj (2007) e Arjun Appadurai (1996), que compreendem a alimentação como uma prática cultural, social e histórica. Os resultados revelam que as tradições alimentares constituem um importante mecanismo de conservação da memória e da identidade entre sírios e libaneses que se estabeleceram no Espírito Santo. Embora ocorram adaptações influenciadas pela escassez de ingredientes e pelo contexto cultural brasileiro, demonstrou-se que a alimentação atuou como um espaço de continuidade, pertencimento e reconstrução identitária ao longo das gerações.

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