Defesa de tese de Doutorado de Larissa Rodrigues Sathler

Título: Corpo, espaço e disciplina na Antiguidade Tardia: João Cassiano e a formação de monges perfeitos nas Gálias (séc. V).
Data: 21 de agosto de 2026.
Horário: 14h.
Local:  Sala de Seminários, localizada na sala 202 do prédio IC-III, CCHN/UFES.
 

Banca examinadora:

Prof. Dr. Gilvan Ventura da Silva (Presidente/Orientador – UFES)
Prof. Dr. Renan Frighetto (Examinador Externo – UFPR)
Profa. Dra. Leila Rodrigues da Silva (Examinadora Externa – UFRJ)
Prof. Dr. Belchior Monteiro Lima Neto (Examinador Interno – UFES)
Profa. Dra. Érica Cristhyane Morais da Silva (Examinadora Interna – UFES)

Resumo: Na transição do século IV para o V, a disciplina monástica desenvolveu-se de maneira​ plural na Gália Meridional, evidenciando que o conceito de “identidade monástica” deve ser​ compreendido como um conjunto de “identidades monásticas”. Isso significa reconhecer que,​ tanto no Oriente quanto no Ocidente tardo-antigos, não se consolidou um modelo unívoco de​ “monacato”, nem se pressupôs a existência de diretrizes claras e padronizadas para a​ organização do espaço cenobítico. Assim, ao se estabelecer em Marselha (Massilia), no início​ do século V, João Cassiano encontrou uma configuração monástica substancialmente diversa​ daquela experimentada nos desertos orientais, marcada pela estreita interação entre monges,​ clérigos e leigos, bem como pela transformação de espaços domésticos em espaços monásticos​ por elites aspirantes às cátedras episcopais do Ocidente. Diante desse cenário, nas obras​ intituladas De institutis coenobiorum et octo principalium vitiorum remediis e Collationes​ Patrum, Cassiano não apenas criticou os modelos disciplinares vigentes nos mosteiros gauleses,​ mas propôs sua reforma à luz das práticas orientais, em especial a egípcia, apresentadas por ele​ como a única via legítima de formação do monge perfeito. Tendo em vista esse discurso​ reformador, investigamos como Cassiano contribuiu para a construção de fronteiras identitárias​ entre as formas de monacato praticadas na Gália Meridional, bem como de que modo fez com​ que o próprio espaço físico do cenóbio atuasse na regulação do corpo e interferisse na​ construção da identidade do monge. Do ponto de vista teórico, mobilizamos os conceitos de​ representação, de Roger Chartier; de identidade, de Kathryn Woodward; de corpo, de José​ Carlos Rodrigues; de disciplina, de Michel Foucault; e de espaço, de Amos Rapoport. Quanto​ ao método, adotamos a Análise de Conteúdo, tal como proposta por Laurence Bardin.

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