Memórias da prostituição: território, poder e resistências em São Sebastião. Serra-ES (1960-1980)

Nome: Mirela Marin Morgante
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 13/05/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Maria Beatriz Nader Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Janine Gomes da Silva Examinador Externo
Juçara Luzia Leite Examinador Interno
Maria Beatriz Nader Orientador
Maria Cristina Dadalto Examinador Interno
Thana Mara de Souza Examinador Externo

Resumo: Em finais da década de 1960, em meio ao crescimento demográfico e urbano de Vitória, capital do Espírito Santo, o governo estadual passou a implantar discursos e práticas de ordenação social e higienização da cidade, que via a prostituição como uma "doença social". Com isso, as técnicas do poder e os mecanismos disciplinadores entraram em funcionamento na região do centro da capital do estado no sentido de afastar as prostitutas, maioria pobres e negras, dos locais de lazer e de residência das classes médias e altas, compostas, principalmente, por uma população branca, enquadradas dentro do modelo de família burguesa. Expulsas de seus locais de trabalho e de convívio social, as donas de prostíbulos e as prostitutas foram para o território de São Sebastião, localizado próximo do recém-inaugurado Porto de Tubarão, no município da Serra, pertencente à Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV). No local, elas construíram boates de prostituição e criaram novas redes de relações de poder e de afeto, como efeitos do poder que impunha sua marginalização e sua exclusão social. Em questão de pouco tempo, o território passou a concentrar diversas casas de prostituição, bares e dormitórios, além de contar com postos policial e médico, configurando-se enquanto uma região de confinamento do meretrício capixaba. Entretanto, em princípios dos anos de 1980, com as modificações econômicas, populacionais, políticas e nas relações sociais da RMGV, o mercado sexual de São Sebastião iniciou um processo de decadência. O nome do bairro mudou para Novo Horizonte e as mulheres que atuavam no meio prostitucional tiveram que encontrar alternativas de sobrevivência condizentes com seus desejos e relações pessoais. Pautando-se nas memórias de três antigas prostitutas e uma ex-cafetina do território, a pesquisa analisa as relações de poder e as resistências que constituem as suas experiências de São Sebastião. O objetivo é compreender o processo de produção de suas subjetividades no espaço-tempo do "território do desejo" da RMGV, com efeitos em seus hábitos e em suas percepções atuais. Para tanto, a História Oral é utilizada como fonte e método de pesquisa histórica, aliada à análise de discurso das fontes complementares, qual seja, matérias de revistas capixabas, crônicas sobre o assunto e uma reportagem televisiva da época.

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