Memoricídio de gênero: fabricação de esquecimento dos assassinatos de mulheres em Cachoeiro de Itapemirim-ES (2001-2005)
Nome: LUAN TOFANO ELIAS
Data de publicação: 08/05/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALEX SILVA FERRARI | Examinador Interno |
| ÉRIKA OLIVEIRA AMORIM TANNUS CHEIM | Examinador Externo |
| JOAO JOSE BARBOSA SANA | Examinador Interno |
| MARCO AURÉLIO BORGES COSTA | Examinador Externo |
| MARIA BEATRIZ NADER | Presidente |
Resumo: Este trabalho propõe analisar a relação entre violência de gênero e apagamento da memória de mulheres assassinadas, utilizando o conceito de Memoricídio de Gênero. Embora a ideia de tal conceituação apareça subentendida na literatura que trata das relações de gênero, sua nomenclatura ainda não foi direta ou especificamente encontrada ou citada. A pesquisa baseou-se na análise de sete casos de assassinatos de mulheres ocorridos entre 2001 e 2005 em Cachoeiro de Itapemirim, município do estado do Espírito Santo, com vistas a identificar os mecanismos institucionais que contribuíram para a fabricação do esquecimento dessas vítimas. Por meio de consulta aos arquivos judiciais e policiais, o estudo dos casos possibilitou observar que o sistema de justiça perpetua a impunidade por meio da negligência investigativa, da revitimização, expondo a vítima (no caso a mulher) novamente ao sofrimento, e da normalização da violência de gênero pautada nos discursos e representações patriarcais no âmbito jurídico, reproduzindo novas violências institucionais. Este estudo também traz um diagrama estruturado que evidencia um ciclo contínuo de violência de gênero, de modo a enfatizar como o discurso patriarcal, embasado no sistema de justiça, contribui para o apagamento desses crimes da memória coletiva e histórica da sociedade. Dessa forma, buscou-se demonstrar, nesta pesquisa, como o Memoricídio de Gênero, isto é, o apagamento total da memória dos crimes, das vítimas e da violência de gênero como um todo, configura-se como fenômeno que reforça a exclusão e a invisibilidade das vítimas, de modo a perpetuar ainda mais a violência contra as mulheres.
