Patronato, conflito e poder na República romana: a plebe urbana e os veteranos como grupos de apoio a César e a Otávio (64-27 a.C.)
Nome: AYLA FERNANDA DE OLIVEIRA
Data de publicação: 04/10/2024
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| BELCHIOR MONTEIRO LIMA NETO | Examinador Interno |
| ERICA CRISTHYANE MORAIS DA SILVA | Examinador Interno |
| GILVAN VENTURA DA SILVA | Presidente |
| GISELE OLIVEIRA AYRES BARBOSA | Examinador Externo |
Resumo: Nessa dissertação investigamos como, entre 64 e 27 a.C., ou seja, nas últimas décadas da República romana, a plebe de Roma e os veteranos constituíram grupos sociais de apoio a Júlio César e Otávio, dois dos mais importantes líderes republicanos à época. Tornando-se agentes políticos relevantes em virtude da crise socioeconômica que atingiu o campesinato italiano na sequência da Segunda Guerra Púnica (218 – 201 a.C.), a plebe urbana e os veteranos logo foram cooptados por aqueles que desejavam apoiar-se neles para contrapor à política senatorial, o que multiplicou o ingresso de ambos os grupos no sistema de patronato e clientela, característico da sociedade romana desde pelo menos o início da República. Para tal, utilizamos as obras Vida dos Doze Césares, de Suetônio; Guerras civis, de Apiano; a Res Gestae, de Augusto; e A guerra civil, de Júlio César, como fontes primárias. A hipótese central deste trabalho é que as transformações socioeconômicas operadas a partir da Segunda Guerra Púnica conduziram à pauperização das massas camponesas, ao êxodo rural e à formação de um contingente de despossuídos, o que impactou a própria composição do exército romano, baseado até então em critérios censitários. Além disso, a formação da plebe urbana e do exército profissional propiciaram a emergência de dois grupos que tiveram uma atuação decisiva na crise da República ao sustentarem as pretensões de César e Otávio. A plebe e os veteranos, em troca do apoio político a César e a Otávio, reivindicavam a concessão de benefícios materiais, configurando assim uma relação de patronato e clientela exercida em favor de ambos os grupos. Do ponto de vista teórico-metodológico, empregamos os conceitos de grupo, conflito, movimentos sociais, liderança e patronato e a Análise de Conteúdo, conforme as orientações de Laurence Bardin (1977).
