Arte e Ativismo em Tempos de Ditadura Militar: a obra de Antonio Manuel, Artur Barrio e Cildo Meireles
Nome: RONEY JESUS RIBEIRO
Data de publicação: 27/06/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALMERINDA DA SILVA LOPES | Presidente |
| EVERTON DE OLIVEIRA MORAES | Examinador Interno |
| LÍVIA DE AZEVEDO SILVEIRA RANGEL | Examinador Externo |
| PEDRO ERNESTO FAGUNDES | Examinador Interno |
| RENATA GOMES CARDOSO | Examinador Externo |
Resumo: Esta tese objetiva estudar a relação entre arte e ativismo em tempos de ditadura militar, enfatizando a atuação política e engajada de Antonio Manuel, Artur Barrio e Cildo Meireles nos anos de chumbo (1968-1974) contra a censura e a repressão do poder instituído. Trata-se de uma pesquisa teórico-metodologicamente qualitativa, que se respalda na análise de fontes documentais como artigos, periódicos, catálogos, entrevista, jornais e em livros de história social e política e de história da arte de autores contemporâneos. Além disso, foram selecionadas obras dos artistas estudados para submetê-las a uma análise tanto com base no seu significado poético e semântico, quanto a partir de um olhar voltado para a compreensão do contexto sociopolítico em que foram produzidas. O recorte temporal estabelecido partiu do momento que Manuel, Barrio e Meireles se inseriram no cenário artístico brasileiro, participando de mostras individuais e coletivas e vai até final dos anos 1970 passando a adotar uma postura politizada nas respectivas práticas artísticas que extrapolaram o espaço institucional da arte, propondo ações, situações, inserções e objetos que operavam como dispositivo de perturbação do olhar, da linguagem e da ordem pública. Esses artistas, em diferentes registros, tensionaram os limites entre arte e vida, obra e ação política. Cildo Meireles, por meio de sua série Inserções em Circuitos Ideológicos (1970), como o caso das garrafas de Coca-Cola e das cédulas carimbadas, apropriou-se de meios de circulação de massa para infiltrar mensagens críticas ao regime, explorando o potencial subversivo da arte conceitual. Artur Barrio, com trabalhos como Trouxas Ensanguentadas (1970), engendrou experiências sensoriais extremas que remetiam à brutalidade da repressão, deslocando a arte para a esfera do corpo, do sangue e da rua. Antonio Manuel, com ações como O Corpo é a Obra (1970), desestabilizou as fronteiras entre sujeito e objeto, museu e rua, propondo o corpo do artista como território de contestação. A partir de estratégias como a efemeridade, a clandestinidade, a ambiguidade semiótica e a apropriação de circuitos não artísticos, esses artistas constituíram uma poética da insurgência, reconfigurando o papel do artista como agente político. Tais obras não apenas resistem a leitura única ou à neutralização institucional, como também evidenciam a potência da arte enquanto prática de guerrilha simbólica, capaz de operar fissuras no tecido autoritário da sociedade.
