Vozes silenciadas: vivências femininas nas penitenciárias de Tucum e Bubu, Cariacica/ES (1997-2020). Não é sobre prisão, é o ser mulher

Nome: LUCIANA GOMES FERREIRA DE ANDRADE

Data de publicação: 06/06/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ALEX SILVA FERRARI Examinador Interno
ELDA COELHO DE AZEVEDO BUSSINGUER Examinador Externo
ÉRICA VERÍCIA CANUTO DE OLIVEIRA VERAS Examinador Externo
JULIO CESAR BENTIVOGLIO Examinador Interno
MARIA BEATRIZ NADER Presidente

Resumo: As relações de gênero, estruturadas sob a lógica patriarcal, têm impactado profundamente diferentes dimensões da existência feminina, inclusive nas trajetórias de mulheres em situação de privação de liberdade. No sistema prisional feminino brasileiro, essas relações manifestam-se intensamente, por meio de múltiplas formas de violência institucional, notadamente em razão da ausência ou precariedade de políticas públicas de gênero, voltadas à efetivação dos direitos fundamentais das mulheres presas. Portanto, esta tese tem como objetivo geral analisar o encarceramento feminino no Estado do Espírito Santo como prática estatal de dominação e controle patriarcal dos corpos das mulheres nele aprisionados através dos discursos e das experiências de mulheres encarceradas nas unidades conhecidas como Tucum e Bubu, ambas situadas no município de Cariacica, território capixaba. O recorte temporal abrange o período de 1997 a 2024, compreendendo desde a inauguração da Penitenciária Feminina Estadual de Cariacica (Tucum) até a atualidade, com a unidade em funcionamento (Bubu). A pesquisa utiliza a metodologia da História Oral, articulada por meio de um grupo focal com mulheres atualmente encarceradas em Bubu, mas que também passaram por Tucum, permitindo o resgate de memórias e a produção de narrativas sobre as práticas de controle, violência simbólica e resistência vivenciadas no cotidiano prisional. De forma complementar, foram usados como fontes de pesquisa registros públicos, fotografias e matérias da imprensa local. Os estudos são orientados pelos referenciais teóricos de Michel Foucault e Erving Goffman, em diálogo com autoras como Michelle Perrot, Heleieth Saffioti e Maria Beatriz Nader, cujos aportes possibilitam compreender a prisão como uma instituição total e a articulação entre gênero, poder e exclusão. Os resultados indicam que o encarceramento feminino, longe de ser uma prática penal neutra, constitui-se como uma extensão das estruturas patriarcais arraigadas na sociedade, reforçando desigualdades históricas e operando como dispositivo de controle social que transcende os muros das instituições penais, atingindo famílias e comunidades inteiras. Ao propor uma escuta ativa das mulheres privadas de liberdade, a tese contribui para a construção de uma crítica interseccional ao sistema prisional e às formas hegemônicas de produção do saber sobre o crime e a punição.

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