O amargo gosto da desigualdade de gênero: o trabalho das mulheres cafeicultoras nas montanhas capixabas

Nome: LEANDRO DA SILVA LUNZ

Data de publicação: 16/04/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ALEX SILVA FERRARI Examinador Interno
ÉRIKA OLIVEIRA AMORIM TANNUS CHEIM Examinador Externo
JANINE GOMES DA SILVA Examinador Externo
MARIA BEATRIZ NADER Presidente
MARIA CRISTINA DADALTO Examinador Interno

Resumo: A construção dessa tese de doutorado, identificada como buscou investigar o modo de vida, as associações de trabalho e as experiências das mulheres cafeicultoras que atuam nos municípios de Afonso Cláudio, Brejetuba e Vargem Alta, localizados na região das Montanhas Capixabas no Espírito Santo. Pretendeu-se evidenciar situações de desvalorização do trabalho feminino na cafeicultura, partindo da hipótese da existência de um predomínio de comportamentos sociais masculinos fundamentados no sistema do patriarcado, que afeta na autonomia econômica, na visibilidade social e no comportamento dessas mulheres, provocando conduta caracterizado pela tolerância e conformação perante a sua realidade social. No que se refere ao procedimento para a realização dessa tese, foi utilizado o estudo de caso, auxiliado pela técnica das entrevistas. Assim, foram entrevistadas quinze mulheres cafeicultoras, possibilitando dar visibilidade às suas percepções perante a realidade social ao qual vivenciam em seu cotidiano. Foi feito uso de um amplo referencial teórico pertinente às temáticas ligadas à História das Mulheres e das Relações de Gênero, investigando a relação entre violência patrimonial e a situação das mulheres na cadeia produtiva do café. O recorte cronológico compreende o período da promulgação da Constituição em 1988, que legitima a igualdade das mulheres e também reconhece os direitos das mulheres rurais, estendendo-se até o ano de 2024, no qual o Espírito Santo se apresenta como o segundo maior produtor de café no Brasil. No que diz respeito às contribuições acadêmicas, essa tese buscou dar voz e visibilidades às experiências de vida das mulheres em um meio ocupado majoritariamente pelo grupo masculino, sendo evidenciado a presença da violência patrimonial como uma expressão do patriarcado no meio rural que impacta fortemente a vida das mulheres que atuam no setor cafeeiro. Por fim, o estudo manifesta a necessidade de pensar políticas públicas voltadas para o suporte, à autonomia e ao combate às formas de violência (visíveis e sutis) contra as mulheres trabalhadoras do café.

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