Sociedade e movimentos políticos

Área de concentração: História Social das Relações Políticas
Descrição: Esta linha compreende as investigações históricas e/ou historiográficas no âmbito dos distintos grupos sociais, informal ou formalmente organizados, considerando as interações políticas intragrupais, intergrupais e destes grupos com as instituições públicas ou governamentais. Contempla temáticas relacionadas aos micro-poderes, descontínuos e dispersos, atuantes no cotidiano, os quais contribuem significativamente para a configuração e reprodução de um determinado sistema político. Dedica-se às investigações sobre as relações de poder no interior de instituições como a família, a escola, a igreja, bem como as interações nos locais de trabalho, articulando as microrrelações cotidianas com os padrões de organização estatal, numa perspectiva que visa a iluminar as peculiaridades entre o individual e o coletivo, o privado e o público. Inclui os estudos acerca dos mecanismos de exclusão e estigmatização sociais, fundamentados em critérios de ordem étnica, de gênero, condição socioeconômica e outros. Esta ampliação do foco de análise do político, em especial quanto à inclusão dos micropoderes, é hoje um dos maiores desafios colocados à Nova História Política (Gouvêa, 1998).
Em outra perspectiva, a linha incorpora estudos sobre a dimensão política das mais diversas formas de associações, formal ou informalmente constituídas. Compreende as modalidades possíveis de associacionismo, as interações das associações entre si e/ou com as instituições públicas, isto é, com o Estado, seja como entidades co-extensivas a ele ou como espaços de construção de contrapoderes que pretendem interferir nos padrões de atuação estatal (Rioux, 1996). Desse modo, na linha são examinados os vínculos historicamente determinados entre associações ou organizações sociais e os sistemas político-jurídicos, seja na identidade de interesses ou na forma de resistência, incluindo suas repercussões sobre a opinião e os poderes públicos (Putnam, 1996). A linha incorpora assim estudos acerca da dimensão política dos movimentos sociais, compreendendo manifestações públicas rurais e/ou urbanas, revoltas, sedições, guerras civis, revoluções, lutas de emancipação ou libertação entre outros. Enfim, contempla os movimentos políticos enquanto expressões das aspirações e interesses sociais face ao Estado ou a outros segmentos sociais dominantes. Pertencem, pois, a este enfoque, estudos sobre o comportamento das multidões e os mecanismos de resistência política e cultural.
A linha tem por objetivo estimular igualmente a reflexão sobre os nexos entre cotidiano e poder, buscando discernir a dimensão política da vida cotidiana com base na análise da maneira pela qual os papéis sociais são forjados e das táticas individuais e coletivas empregadas pelos agentes (Certeau, 2008). Para tanto, um dos principais aportes teóricos evocados é o conceito de “sociabilidade” criado por Georg Simmel na segunda metade do século XIX e mais tarde desenvolvido pelos pesquisadores filiados à Escola de Chicago (Frúgoli Jr., 2007). Diretamente vinculadas à dimensão do cotidiano, ao daily life, as sociabilidades exprimem modalidades de intercâmbio e interação regidas por regras nem sempre formalizadas ou fixadas de antemão, mas que cumprem um papel fundamental para a definição das identidades sociais, uma vez que por meio delas os grupos e/ou indivíduos negociam a sua posição uns em relação aos outros, num processo contínuo de troca cultural, de absorção e ressignificação de práticas, concepções e valores (Velho, 2001). As sociabilidades diriam respeito assim a experiências que escapariam, num primeiro momento, à convenção institucional, às normas contidas nos códigos legais e de conduta cuja formulação é por, via de regra, remetida a agentes investidos com a autoridade de disciplinar um determinado ordenamento social, razão pela qual, no âmbito das sociabilidades, são por vezes gerados comportamentos que resistem à tentativa dos poderes públicos em discipliná-los.
Projetos:

Abreviação Títuloordem decrescente Data de início Prazo (meses)
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A questão indígena e a Nação no México. As representações sobre o indígena desde a Revolução Mexicana até meados dos anos 70 01/08/2010 36
Cotidiano, cultura e poder na Europa do Entre Guerras 01/05/2014 24
Genero Gênero e diversidade: história, movimentos e políticas sociais. 01/08/2011 12
História, biografia e nação: Argentina e Uruguai, 1900-1945 01/11/2008 24
HCAF História e Cultura Afro-Brasileira 01/03/2011 12
Identidade Nacional e Identidades étnicas indígenas no México. Tensões e reconfigurações a partir da Revolução Mexicana 03/08/2009 12
Inventário e organização da Colônia de leprosos Itanhenga/ES 01/08/2015 12
Juan Bautista Alberdi e os paradoxos do liberalismo argentino do século XIX 01/08/2009 12
LEG-UFES Laboratório de Estudos de Gênero, Poder e Violência 12/09/2017 24
MEMÓRIAS SILENCIADAS: INVENTÁRIO TEMÁTICO DOS PANFLETOS, CARTAZES E PUBLICAÇÕES CONFISCADAS PELA DELEGACIA DE ORDEM POLÍTICA E SOCIAL DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO – DOPS/ES (1930-1985). 11/09/2011 24
SD O silêncio dos dados: fundamentos da violência contra a mulher em Vitória (ES) 2003-2007 02/08/2010 24
MVCM Relações de gênero: história e motivações sociais de violência contra a mulher na cidade de Vitória (ES). 01/08/2013 12
violencia Violência contra a mulher: mapeamento histórico dos movimentos sociais de acolhimento feminino e políticas públicas. Vitória (ES). 01/08/2007 24
SSC VIOLÊNCIA E SEXO SEM CONSENTIMENTO: A PERCEPÇÃO DE JOVENS E ADOLESCENTES 01/08/2017 24
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